“Desconheço algum prejuízo do Estado com esse contrato”, diz Ricardo sobre pactuação com a Cruz Vermelha

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) comentou pela primeira vez, após deixar o comando do Estado, sobre a relação de sua gestão à frente do Governo do Estado com a organização social Cruz Vermelha, alvo de irregularidades identificadas na “Operação Calvário”. Em entrevista concedida ao programa Conexão Master, da TV Master, na noite desta segunda-feira (25), o socialista afirmou que a organização cumpriu com as suas obrigações contratuais na gestão pactuada do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HETSHL), em João Pessoa.

“Não tenho muito o que falar sobre a Cruz Vermelha, pois, uma empresa, seja ela social ou comercial, quando é selecionada ou vence uma licitação, tem que prestar o serviço. Se ela presta esse serviço de forma errada ou tem feito algo que seja ilegal, ela precisará responder por isso”, disse Ricardo, que complementou: “Eu falo é pelo Estado, pelo sistema de saúde, e por uma situação que conheço como poucos. Quando cheguei ao Governo, em 2011, tínhamos o maior hospital do Estado que não conseguia funcionar, com pessoas morrendo por falta de atendimento. Então, eu que sempre tive uma postura contrária às organizações sociais, tomei uma decisão, chega da falta de assistência à população”.

Ricardo Coutinho afirmou que recebeu o HETSHL repleto de cargos comissionados e cabos eleitorais, que não colocavam o equipamento para funcionar, prejudicando a gestão. Segundo ele, foi preciso pactuar a gestão para regularizar a situação de 99% dos médicos que tinham mais de um vínculo público – O Tribunal de Contas do Estado (TCE) proíbe a contratação de profissionais com mais de dois vínculos – e de cerca de 4.000 funcionários codificados, que recebiam seus proventos apenas pelo CPF.

MELHORIA DO SERVIÇO

Ademais, o ex-governador justificou que a gestão pactuada conseguiu melhorar a assistência promovida pelo Hospital de Trauma. Segundo ele, o número de leitos internos aumentou de 138 para 331, de leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de 13 para 35; elevando o número de cirurgias mensais de 4 mil para cerca de 17 mil; e de raio-x de 3,9 ml para 78 mil mensais.

“Só foi possível retirar o Trauma daquela situação de insolvência, e ter governabilidade e ordem lá dentro com uma organização social, que foi a Cruz Vermelha que era conhecida de todo mundo. Até hoje, eu desconheço algum prejuízo que o Estado tenha tido dentro desse contrato. Não sei qual é o prejuízo, você ter um hospital que custa R$ 12,8 milhões, ou seja, o mesmo custeio do Trauma de Campina Grande”, pontuou.

Ainda segundo Ricardo Coutinho, a oposição, que chegou a cogitar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar a gestão pactuada com a Cruz Vermelha, sequer criticou a gestão do Hospital de Trauma nas eleições de 2018. “Passamos por uma eleição recentemente e ninguém falou nada”, frisou.

INTERVENÇÃO ACERTADA

Por fim, Ricardo Coutinho avaliou como acertada a intervenção estatal do Governo João Azevêdo na gestão do Hospital de Emergência e Trauma, Hospital Metropolitano e Hospital Regional de Mamanguape, que mantinha gestões pactuadas com organizações sociais.

“O governador João Azevêdo decretou intervenção, não por irregularidade conhecida do governo, mas em decorrência de intervenção que a Cruz Vermelha Brasileira fez na [Cruz Vermelha] do Estado que era contratada, e não comunicou ao Governo. Foi uma intervenção correta para garantir aos funcionários e servidores que eles recebam aquilo que o Estado repassa religiosamente em dia”, concluiu.